"A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído."
Confúcio

Batalha de Aljubarrota

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Travada no final da tarde do dia 14 de Agosto de 1385, entre portugueses e castelhanos, a batalha de Aljubarrota foi uma das mais importantes na História de Portugal. Em 1383 morreu o Rei D. Fernando sem um filho varão que herdasse o trono. D. Fernando tinha uma única filha, D. Beatriz, que estava casada com o rei D. João I de Castela, o que punha em causa a independência de Portugal. No acordo nupcial determinava-se que D. João I de Castela não poderia ser Rei de Portugal, mas os portugueses receavam o pior, e com razão. Em Junho do mesmo ano invade Portugal à frente da totalidade do seu exército e auxiliado por um contingente de cavalaria francesa, sob o pretexto de fazer valer os direitos de D. Beatriz.Quando as notícias da invasão chegaram, D. João I, Mestre de Avis, encontrava-se em Tomar na companhia de D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável do Reino. Rapidamente de decidiram a enfrentar os castelhanos antes que estes pudessem levantar novo cerco a Lisboa. Nuno Álvares Pereira resolve avançar contra o adversário e segue para Tomar, e daqui para Atouguia (Ourém) e Porto de Mós, junto da estrada de Leiria a Alcobaça, onde chegam a 12 de Agosto. Por sua vez, os castelhanos, que seguiam pela mesma estrada, devem ter chegado perto de Leiria também por essa altura. No dia 13, o Condestável, ajudado pela lentidão do adversário, teve tempo para inspeccionar e escolher o terreno onde iria interceptar o exército castelhano, que ficava a sul da ribeira da Calvaria, com dois ribeiros que protegiam os flancos. Era um planalto com acessos difíceis e que limitavam a frente de ataque do adversário e facilitavam o contra-ataque dos portugueses pelos flancos. Apesar de não haver dados concretos e de existirem versões muito díspares sobre o seu número, sabe-se que o efectivo dos dois exércitos era muito desigual, havendo muito mais castelhanos que portugueses. Do lado de Castela haveria cerca de 5000 lanças (cavalaria pesada), 2000 ginetes (cavalaria ligeira), 8000 besteiros e l5 000 peões; do lado português seriam cerca de 1700 lanças, 800 besteiros, 300 archeiros ingleses e 4000 peões. No dia 14 de Agosto, os castelhanos, apesar de em maior número, quando avistam o exército português, apercebem-se da posição vantajosa dos portugueses no terreno e tentam evitar o confronto, contornando-os e, seguindo por um caminho secundário, indo concentrar-se em Calvaria. O exército português inverte a posição e desloca-se paralelamente, acompanhando os castelhanos, vindo a ocupar uma posição 3 km a sul da anterior, ficando os dois exércitos a cerca de 350 m de distância. Para proteger a frente, os portugueses cavaram rapidamente fossos e covas de lobo, que tentaram disfarçar. O exército português estava disposto numa espécie de quadrado, formando a vanguarda e as alas um só corpo. A vanguarda era comandada pelo Condestável e nela estavam cerca de 600 lanças; na retaguarda, comandada por D. João I, estavam cerca de 700 lanças, besteiros e 2000 peões. Os restantes efectivos estavam nas alas, sendo uma delas conhecida por Ala dos Namorados. A vanguarda castelhana teria 50 bombardas e 1500 lanças, em 4 filas, e ocupava toda a largura do planalto, nas alas teria outras tantas lanças, besteiros e peões, além de ginetes na ala direita e cavaleiros franceses na ala esquerda. Os castelhanos reconhecem a dificuldade de atacar a posição portuguesa, surgindo dúvidas quanto à decisão de atacar ou não. Estavam neste impasse quando, já ao fim do dia, a vanguarda castelhana inicia o ataque. Dados os obstáculos que encontraram, foram-se concentrando ao meio, mas com uma profundidade de 60 a 70 metros, pelo que o embate se dá com a parte central da vanguarda portuguesa. Dado o seu número, os castelhanos conseguem romper a vanguarda portuguesa, mas logo foram atacados de flanco, pelas pontas da vanguarda, pelas alas e também pela retaguarda portuguesa. Assim, face à estratégia e posição portuguesas, a vanguarda castelhana sofreu todo o impacto da força do exército português, sendo desbaratada. Por isso, apesar do maior número total das forças espanholas no combate, a vanguarda castelhana suportou sozinha toda a acção do exército português, sendo esmagada. Os restantes fugiram, em pânico, sendo ainda perseguidos. Tudo isto aconteceu em cerca de uma hora. O Rei de Castela fugiu, de noite, para Santarém e daí embarcou para Sevilha. Na manhã seguinte a catástrofe castelhana ficou bem à vista, sendo os cadáveres tantos que chegaram para barrar o curso dos ribeiros que flanqueavam a colina. Para além dos soldados de Infantaria morreram também muitos nobres fidalgos castelhanos, o que causou luto em Castela até 1387. A Batalha de Aljubarrota foi um momento alto e importante na luta com Castela, pois desmoralizou o adversário e aqueles que o apoiavam, e praticamente assegurou a continuidade da independência nacional. Com esta vitória, D. João I tornou-se rei incontestado de Portugal, o primeiro da Dinastia de Avis. Para celebrar a vitória e agradecer o auxílio divino, D. João I mandou erigir o Mosteiro de Santa Maria da Vitória em honra à Virgem Maria e fundar a vila da Batalha. Fontes: Infopedia; Wikipedia

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